domingo, 28 de junho de 2020

ASSASSINATO NA 10.ª AVENIDA (Slaughter on 10th Avenue), 1957


Baseado em fatos reais, este drama policial explora o mesmo tema de “Sindicato de Ladrões”, realizado três anos antes e vencedor de oito prêmios Oscar. Como não poderia deixar de ser há diversos pontos comuns entre os dois filmes já que a história se desenrola no porto de Nova York com os estivadores sendo vítimas da máfia que os intimidava e cobrava pela proteção. Ocorre uma morte de um estivador revoltado e o procurador William Keating (Richard Egan), contra todas as adversidades, obstinadamente quer esclarecer o crime e colocar na cadeia os autores. Um dos problemas é a ‘lei do silêncio’ que impera no caís e o problema maior é o mafioso Al Dahlke (Walter Matthau) que a todo custo procura calar Keating. O procurador ganha a simpatia dos estivadores e com eles enfrenta a gang em luta corporal e depois, no tribunal, leva a melhor com a condenação dos criminosos. Com produção quase de filme ‘B’, o diretor Arnold Laven teve em mãos um roteiro primoroso e um elenco impecável com destaque para a excelente Jan Sterling e Dan Duryea em curta e memorável aparição como antipático advogado de defesa. Richard Egan perfeito e Walter Matthau ótimo quando ainda estavam longe os dias que o consagrariam como estupendo comediante. O autor da história é William Keating que protagoniza a narrativa como o procurador vivido por Egan. 8/10





sábado, 13 de junho de 2020

BULLITT (Bullitt), 1968


Este filme policial é, mesmo com suas muitas imperfeições, merecidamente considerado um clássico por dois fatores principais. Este comentário até pode parecer contraditório, mas “Bullitt”, desde seu lançamento, foi a mais influente aventura no gênero com a excepcional sequência de perseguição entre automóveis nas ladeiras de São Francisco. A segunda e também importante razão é a presença de Steve McQueen. Ele é o detetive Frank Bullitt, designado para proteger uma testemunha que deveria depor contra a máfia no Senado. A testemunha é morta e o policial se empenha em descobrir a quem interessava a sua morte, o que faz mesmo pressionado por um político e por seus superiores policiais. O roteiro não muito claro tem algumas situações pouco verossímeis e ainda a inteiramente desnecessária presença da namorada de Bullitt (Jacqueline Bisset, belíssima) que comprometem este thriller dirigido por Peter Yates. Steve McQueen domina todo o filme com sua discreta porém eficiente interpretação que se impõe com seu incrível carisma. McQueen só perde mesmo, por onze eletrizantes minutos, para o Mustang GT 390 Fastback 1968 e o Dodge Charger 440 Magnum também 1968 na fantástica e realística perseguição que os veículos travam em alta velocidade. E Steve é visto ao volante do Mustang em diversos desses momentos. Robert Duvall tem pequena participação. 8/10




domingo, 7 de junho de 2020

PACTO SINISTRO (Strangers on a Train), 1951


A reunião dos talentos de Patricia Highsmith (autora da história), Raymond Chandler (roteiro), Robert Burks (fotografia) e Alfred Hitchcock como diretor só poderia resultar em um grande filme, um dos melhores do Mestre do Suspense. Em “Pacto Sinistro” Hitch faz o que mais gosta que é brincar com os nervos do espectador e cutucá-lo em aspectos psicológicos com ferina mordacidade. Hitch é cáustico ao extremo como quando o personagem Bruno Anthony (Robert Walker) pergunta: ‘Quem nunca pensou em matar alguém?’ Guy Haynes (Farley Granger) é um tenista que quer o divórcio negado pela esposa, para se casar com outra mulher. Bruno Anthony é um psicopata que quer ver seu pai morto e propõe a Haynes um pacto funesto, antecipando-se e matando a esposa do tenista. No restante do filme Anthony assedia Haynes para que ele cumpra sua parte. Este é daqueles filmes que alguns detalhes tornam inesquecível, entre eles o isqueiro acusador, o assassinato mostrado através das lentes de um óculos, o cão ameaçador no alto da escada da mansão lúgubre, o carrossel girando em alta velocidade e, causando suspense maior, a partida de tênis. Tudo puro Hitchcock. Último filme do infeliz Robert Walker que faleceria dois meses após o lançamento e seu melhor trabalho no cinema em admirável despedida aos 32 anos de idade. Farley Granger bem como o desesperado tenista e Ruth Roman quase decorativa. 9/10