terça-feira, 14 de maio de 2019

UM PIJAMA PARA DOIS (The Pajama Game), 1957


Enorme sucesso na Broadway, onde foi encenado 1.063 vezes nos dois anos e meio em que esteve em cartaz, este musical sobre uma greve numa fábrica de pijamas tinha o destino certo que era virar filme. Praticamente todo elenco teatral foi contratado pela Warner, menos Janis Paige que interpretava Babe Williams, a líder operária que reivindicava 7,5 centavos de dólar de reajuste no salário, quantia negada pelo patrão. Janis Paige não era um nome ‘forte’ para as bilheterias e Doris Day foi chamada, quase uma estranha no ninho no elenco importado da Broadway. Com seu talento Doris criou uma inesquecível ‘Babe Williams’ num filme onde romance, humor, dança e muita música fizeram de “Um Pijama para Dois” um dos melhores musicais de uma década repleta de grandes musicais. E não poderia ser diferente pois Bob Fosse respondeu pela coreografia e Jerome Robbins (não creditado) atuou na direção ao lado da dupla de diretores Stanley Donen-George Abbott. Entre as canções memoráveis (todas de Richard Adler e Jerry Ross) destaque para “Hey There”, “Small talk” e “Hernando’s Hideway”, esta o ponto alto da coreografia de Fosse e dançada por Carol Haney. John Raitt, que faz o par romântico com Doris, é dono de boa voz mas fraco como ator. Carol Haney histriônica, mas como dança! E Doris Day esplêndida, linda, cativante e maravilhosa em “There Once a Man” e comovente cantando “Hey There’. 9/10




quarta-feira, 8 de maio de 2019

BONECA DE CARNE (Baby Doll), 1956


Condenado pela organização católica Legião da Decência, nos Estados Unidos, recebendo de críticos adjetivos como ‘indecente’ e ‘sórdido’ e sendo proibido em alguns países, nem mesmo provocando este estardalhaço o filme de Elia Kazan se transformou em sucesso. Baseado em texto de Tennessee Williams, que também adaptou para o cinema, “Boneca de Carne” narra uma história passada no Delta do Mississippi com disputa entre dois homens que processam algodão. O maduro Archie Lee (Karl Malden) é casado com a jovem Baby Doll (Carroll Baker), a quem devido a um trato feito com o pai da moça, só poderá possuí-la quando ela completar 20 anos. Archie Lee ateia fogo no armazém de algodão de Silva Vacarro (Eli Wallach) que se vinga envolvendo-se com Baby Doll para desespero do marido traído que, armado, busca vingança. A dramaticidade da história se transforma em comédia de humor negro com momentos de intensa lubricidade provocados pela impudica e libidinosa Baby Doll. Fica a impressão que o filme poderia ser muito melhor fossem outros os atores (Marlon Brando era a escolha inicial para Archie Lee). Estreia no cinema de Eli Wallach que assim como Karl Malden não convencem como os dois litigantes, ao contrário de Carroll Baker que esbanja sensualidade mesmo mostrando quase nada de seu corpo. Típico filme que merecia ser refeito sem as amarras do código de moralidade então vigentes em Hollywood. 7/10




domingo, 5 de maio de 2019

THELMA E LOUISE (Thelma & Louise), 1991


Houve quem não gostasse deste filme porque as duas protagonistas somente conseguem sair das situações difíceis com revólver à mão. Ora, a força bruta masculina que submete psicológica e fisicamente as mulheres seria, por acaso, menos violenta? Thelma (Susan Sarandon) e Louise (Geena Davis) cansadas de serem tratadas com insignificância por seus namorado e marido, respectivamente, decidem viajar num final de semana com a pretensa ideia de encontrar, mesmo efemeramente, a liberdade. O Ford Thunderbird conversível lhes dá a falsa impressão de emancipação do mundo machista, mas este, nem assim lhes dá trégua. Durante a jornada são vítimas de estupro, ludibriadas, insultadas e inesperadamente reagem com fúria. A viagem revela-se fatídica para elas que, num dos finais mais poéticos do cinema, desistem da vida num voo para a morte. ‘Road movies’ sempre tiveram homens à procura da liberdade e “Thelma e Louise” não só rompe com esse padrão como é o mais melancólico e ao mesmo tempo o mais encantador dos filmes de estrada. Isto mesmo lembrando de “Cada Um Vive Como Quer”, este com a dose de amargura que o filme de Ridley Scott mescla com momentos divertidos em sua trágica concepção. As brilhantes interpretações de Susan Sarandon e Geena Davis são magnificamente completadas pela música de Hans Zimmer e pela primorosa cinematografia. 10/10