quinta-feira, 24 de outubro de 2019

A NOIVA ESTAVA DE PRETO (La Mariée Était em Noir), 1968


François Truffaut era tão apaixonado pelo cinema de Alfred Hitchcock que, depois de consagrado, decidiu fazer filmes para homenagear o Mestre do Suspense. Este é seu filme mais hitchcockiano mas está longe de ser uma homenagem lisonjeira. No dia de seu casamento Julie Kohler (Jeanne Moreau) vê seu marido ser morto por um tiro disparado acidentalmente em uma brincadeira entre cinco homens. Eles desaparecem sem deixar vestígios, mas Julie descobre quem eles são e onde estão, assassinando-os cada um de modo diferente. Essa vingança fria e racional é o problema maior do filme que não explica como a viúva chega aos cinco homens. À parte o roteiro incoerente, pouca coisa funciona a contento e o filme de suspense simplesmente não tem suspense. O final que pretende ser surpreendente é totalmente previsível. Truffaut só consegue agradar quando cria um personagem (um alter-ego seu) que se apaixona por sua modelo (a própria Jeanne). La Moreau, uma atriz minimalista em suas expressões quase sempre ressentidas e pessimistas, carrega o filme com seu charme irresistível, especialmente quando três de suas vítimas descobrem seus encantos. O elenco de coadjuvantes tem nomes conhecidos que atuam sem maior brilho.  Bernard Herrmann, compositor das trilhas de Hitchcock, cuidou da música e Raoul Coutard da cinematografia. 5/10


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