terça-feira, 10 de janeiro de 2017

ESCRAVAS DO MEDO (Experiment in terror), 1962


Um dos mais bem sucedidos diretores norte-americanos, Blake Edwards é sempre lembrado pela querida série ‘Pantera Cor-de-Rosa’ com o impagável Inspetor Closeau. Mas são de Edwards também as comédias “Victor ou Victoria”, “Um Convidado Bem Trapalhão”, “A Corrida do Século” e “Anáguas a Bordo”, bem como a comédia romântica “Bonequinha de Luxo” e o drama “Vício Maldito”. Menos conhecido é o suspense “Escravas do Medo”, feito num tempo em que as séries policiais rivalizavam com os faroestes na TV norte-americana. Assistido hoje este filme de Edwards perdeu um pouco do impacto, ainda que seja um absorvente thriller no qual Glenn Ford quase nada faz deixando espaço para Ross Martin brilhar como o assassino asmático que aterroriza as belas Lee Remick e Stephanie Powers. Afinal, o que torna então “Escravas do Medo” imperdível? Uma das mais profícuas parcerias do cinema foi formada por Blake Edwards com Henry Mancini e para este filme Mancini compôs uma trilha nada menos que extraordinária, uma das melhores de sua admirável carreira como compositor. A trilha vale o thriller e melhor que isso só ouvir o álbum inteiro, não é mesmo, José Flávio Mantoani? 7/10






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sábado, 7 de janeiro de 2017

AS TRÊS NOITES DE EVA (The Lady Eve), 1941


Já houve quem, com certo exagero, dissesse que Preston Sturges foi mais importante para o cinema norte-americano que Orson Welles. E não é que então surge Peter Bogdanovich e afirma que os seus cinco filmes preferidos são “Suprema Conquista” (Howard Hawks), “Cupido é Moleque Teimoso” (Leo McCarey), “French Can Can” (Jean Renoir), “Papai por Acaso” e “As Três Noites de Eva”, estes dois últimos de quem mesmo? Acertou quem pensou em Preston Sturges! “As Três Noites de Eva” é uma comédia romântica e sofisticada do gênero muito em voga nos anos 30 e 40 chamado ‘Screwball Comedy’ ou comédia maluca para nós, invariavelmente com uma mulher agitada no centro de toda a trama. Barbara Stanwyck é a vigarista que pretende conquistar o rico herdeiro Henry Fonda, por quem acaba apaixonada num filme repleto de diálogos saborosíssimos (do também roteirista Preston Sturges) e com situações que se sucedem cada vez mais engraçadas até o desfecho feliz. Feliz mas que comprova que Eva com magnetismo, graça e beleza subjuga o homem. E essa Eva (Eve) é Barbara Stanwyck bonita, divertida e fascinante como o cinema nunca a havia mostrado. Fonda e um grupo seleto de coadjuvantes (Eugene Palette, Charles Coburn, William Demarest e outros) ajudam a dar mais classe ainda a esta joia de comédia. 8/10






Diretor:

terça-feira, 3 de janeiro de 2017

PERFUME DE MULHER (Profumo di Donna), 1974


Quando foi lançada a versão norte-americana de “Perfume de Mulher”, com Al Pacino, praticamente todos os críticos compararam negativamente esse filme com o original italiano dirigido por Dino Risi. E lembraram que Vittorio Gassman como o aposentado capitão cego com o braço esquerdo mutilado teve uma daquelas atuações impossíveis de serem superadas. Mas como poderia Hollywood ao menos igualar este que é um dos melhores filmes de Dino Risi, menos engraçado que “Aquele que Sabe Viver” mas tão tragicômico como este? Ficou provado que certo tipo de cinema não se adequa ao comercialismo de Hollywood. Com “Perfume de Mulher” Risi se equilibra soberbamente entre o drama e a farsa criando um personagem que tenta esconder com seu sarcasmo e arrogância a amargura de sua vulnerabilidade que ele não aceita. A única saída é a morte mas diante dela Fausto se mostra não o leão que simulava ser, mas um homem fraco e titubeante. A primeira metade de “Perfume de Mulher” é primorosa, caindo no final especialmente pela presença da bela jovem apaixonada e rejeitada por Fausto quando o mais correto seria uma mulher mais madura para servir-lhe do amparo que ele nunca aceitou. Alessandro Momo, que interpreta o ajudante de Gassman, faleceu antes de completar 18 anos e antes do filme ser lançado em 1974. 8/10




Diretor:

domingo, 1 de janeiro de 2017

QUELÉ DO PAJEÚ, 1969


Anselmo Duarte costumava afirmar que seu melhor filme era “Quelé do Pajeú” e poucos podiam contestar essa discutível opinião. Isso porque alguns anos após seu lançamento o filme simplesmente desapareceu, numa das mais lamentáveis incúrias do cinema brasileiro. “Quelé do Pajeú” passou para a categoria de lenda cinematográfica e somente os críticos e espectadores mais velhos, ao redor dos 70 anos de idade e que o viram nos cinemas, podiam falar do filme. Mais de 40 anos depois uma cópia legendada em Italiano foi descoberta na Europa, fato que pode ser considerado o mais importante do cinema brasileiro nos últimos tempos. Lima Barreto escreveu a história e roteiro que acabou sendo bastante alterado por Anselmo Duarte que a isso chamou de ‘roteiro adaptado’, filmando-o em Salto de Itú naquela que foi uma das mais caras produções do cinema brasileiro, com requintes de 70 mm e som estereofônico. O resultado foi um excelente ‘nordestern’, com muita ação, romance, sensualidade e algumas sequências verdadeiramente antológicas. Tarcísio Meira é o protagonista e Jece Valadão o vilão que Quelé persegue em busca de vingança em sua odisseia pelo sertão em luta constante entre as volantes e o bando de Lampião. Não só pelo fato da descoberta da cópia, mas e principalmente por ser outro grande filme de Anselmo Duarte “Quelé do Pajeú” é fundamental para quem ama o cinema. Resenha completa no blog Westerncinemania. 8/10





Diretor:

quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

SEM LEI E SEM ALMA (Gunfight at the OK Corral), 1957


Tanto o produtor Hal B. Wallis como o diretor John Sturges não gostavam da versão de John Ford sobre Wyatt Earp e o evento no Curral OK. Sturges chegou mesmo a dizer que o western de Ford era uma ‘merda’ e Wallis sonhava produzir um faroeste que mostrasse Wyatt Earp e Doc Holliday desmistificados. E claro, de olho no sucesso pois acima de tudo ele era um produtor e cinema existia para se ganhar dinheiro. Foi reunido um grande elenco encabeçado por Burt Lancaster e Kirk Douglas, bela fotografia de Charles Lang em VistaVision, Dimitri Tiomkin bastante inspirado e o vozeirão de Frankie Laine cantando o marcante tema principal. Sturges realizou um excelente western historicamente tão irreal como “Paixão dos Fortes”. Tanto que dez anos depois o diretor voltou ao mesmo tema com “A Hora da Pistola’ para corrigir o roteiro de Leon Uris escrito para “Sem Lei e Sem Alma” que mostra uma latente relação homossexual entre Wyatt e Doc. Lancaster chegou a dizer que esses dois personagens “mais pareciam duas bichas pré-freudianas”. Kirk Douglas tem desempenho excepcional, seguido por Jo Van Fleet e Lancaster só deixa de fazer discursos durante o célebre tiroteio. Enorme sucesso de público este é um western que divide as opiniões que só convergem quanto a ser, apesar de tudo, imperdível. 8/10 - Resenha completa no blog http://westerncinemania.blogspot.com.br/

terça-feira, 27 de dezembro de 2016

20.000 LÉGUAS SUBMARINAS (20,000 Leagues Under the Sea), 1954


Esta foi a primeira produção da Buena Vista, dos estúdios de Walt Disney, levando às telas o clássico de ficção-científica escrito em 1870 por Jules Verne (Júlio Verne, para nós), da série ‘Viagens Extraordinárias’. E que extraordinária viagem cinematográfica essa dirigida por Richard Fleischer, verdadeiramente assombrosa à época de seu lançamento, que no Brasil ocorreu em 1955 acompanhada por um álbum de figurinhas da Editora Vecchi com cromos com as fotos do filme. Milhares de garotos foram então ‘apresentados’ a Kirk Douglas vibrando com ele em sua aventura à bordo do Nautilus lutando contra diversos inimigos, inclusive um polvo gigante. Mas nenhum inimigo tão ameaçador quanto o delirante Capitão Nemo vivido por James Mason. Gregory Peck foi o primeiro nome cogitado para interpretar o marinheiro ‘Ned Land’ e Walt Disney acertou em cheio ao pagar 175 mil dólares a Kirk Douglas que criou um herói inesquecível. A história já havia sido filmada em 1916 e “20.000 Léguas Submarinas” assistido mais de 60 anos depois, nestes tempos em que cinema se confunde com efeitos especiais, continua um divertimento imperdível. 8/10

sexta-feira, 23 de dezembro de 2016

QUEM É O INFIEL? (A Letter to Three Wives), 1949


Realizado pela 20th Century-Fox e mesmo tendo sido premiado com dois Oscars – Melhor Direção e Melhor Roteiro, recebidos por Joseph L. Mankiewicz – este é um dos filmes menos lembrados entre aqueles da primeira fase da carreira de Kirk Douglas. Examinando a vida de três casais de classe média, Mankiewicz cria uma trama inusitada na qual um dos três maridos trai a esposa. Elas são avisadas por uma carta que as deixa em pânico e faz com que, através de flashbacks, relembrem da ameaça a seus lares chamada ‘Addie Ross’, a amiga comum das três esposas e que em comum tem ainda o fato de ser admirada pelos três maridos. O inteligente roteiro sugere que as esposas não poderiam mesmo confiar na amiga fatal, também a narradora invisível da história (voz de Celeste Holm). O espectador é desafiado a descobrir qual dos maridos sucumbirá, num final surpreendente que perde a força em função do feliz ‘The End’ que o filme não merecia. Como um mal remunerado professor de Literatura, Kirk Douglas tem alguns dos melhores momentos do filme. Ann Sothern é a esposa de Douglas e Jeanne Crain e Linda Darnell são as outras duas, num elenco em que se destacam Paul Douglas e Thelma Ritter. 7/10

quinta-feira, 22 de dezembro de 2016

ÊXITO FUGAZ (Young Man with a Horn), 1950


Mas como? Kirk Douglas era trompetista? Não, não era, assim como não sabia lutar boxe, montar a cavalo, tocar banjo e tantas outras habilidades às quais sua determinação e profissionalismo o levou a executar com perfeição. Para interpretar o lendário Bix Beiderbecke, biografado como ‘Rick Martin’ em “Êxito Fugaz”, Douglas tem mais uma admirável performance ainda que quem toque de verdade em seu lugar seja Harry James. Bix Beiderbecke morreu aos 28 anos em 1931 e essa biografia ficcional foi escrita em 1945, com a Warner logo pensando em John Garfield para protagonizá-la. Sabiamente Jack Warner optou por seu contratado Kirk Douglas, então com 33 anos em 1949, ele que havia impressionado com seu desempenho como boxeur em “O Invencível”, naquele mesmo ano. A direção foi entregue à competência de Michael Curtiz que desta vez ficou abaixo dos grandes filmes que fazia um atrás do outro. Mesmo assim “Êxito Fugaz” é uma festa para os fãs de música com a maravilhosa Doris Day cantando e encantando com alguns standards da canção norte-americana e a presença de Hoagy Carmichael que, na vida real, tocara com Beiderbecke. Lauren Bacall é a mulher que destrói a vida do trompetista e uma pena que o forçado final feliz ignore o trágico fim do músico que em seu tempo só tinha Louis Armstrong com talento semelhante. 7/10

terça-feira, 20 de dezembro de 2016

VIKINGS, OS CONQUISTADORES (The Vikings), 1958


Por Odin! Esta pode não ser a melhor das aventuras do cinema com sequências em alto mar, mas certamente é a mais bonita, isto graças à excepcional fotografia de Jack Cardiff que por si só vale pelo filme produzido e estrelado por Kirk Douglas. Porém “Vikings, os Conquistadores” é diversão Classe A com Douglas exuberante no melhor de sua forma física como o viking Einar. Excelentes sequências de batalha e uma impressionante tomada de um castelo que culmina com Douglas enfrentando Tony Curtis, seu meio irmão, ambos filhos de Ragnar, rei viking interpretado com a doce brutalidade que era a marca registrada de Ernest Borgnine. Curtis e Douglas disputam o amor da frágil e linda princesa galesa Janet Leigh num espetáculo com ritmo e imagens tão perfeitas que até esquecemos das ingênuas coincidências do roteiro. Há ainda o rigor na reprodução das vestes, armas, costumes e especialmente as réplicas dos navios vikings. Filmado em boa parte nos fiordes da Noruega, esta produção da Bryna fez enorme sucesso de público, boa parte dele apaixonado pelo então casal mais querido do cinema, Tony e Janet. Mas o filme é mesmo de Kirk Douglas, seguido de perto por Ernest, um ano mais novo que Kirk e aqui vivendo seu pai. 8/10

segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

GLÓRIA FEITA DE SANGUE (Paths of Glory), 1957


Perguntado sobre qual filme mais teve orgulho em fazer, Kirk Douglas respondeu de pronto: “Sem dúvida, ‘Glória Feita de Sangue’ pela força, coragem e atualidade que mantém”. O ator poderia ter dito mais, como por exemplo que esse filme realizado por Stanley Kubrick aos 29 anos de idade beira a perfeição e é verdadeira aula de como se fazer cinema, inclusive com pouco dinheiro. Custou 935 mil dólares, um terço do que foi gasto com “A Ponte do Rio Kwai”, também de 1957 e que arrebatou uma penca de Oscars. Como muitos outros grande filmes, “Glória Feita de Sangue” sequer foi lembrado em nenhuma categoria, nem mesmo diante da soberba interpretação de George Macready como o odioso General Mireau. Magistralmente Kubrick mostra que morrem em batalha os homens simples enquanto os aristocratas com o peito coberto de medalhas se reúnem em luxuosos castelos onde tramam promoções a custa de calculadas morte nos campos de guerra. Talvez o mais cruel dos filmes, com os sórdidos dez minutos iniciais de diálogo nauseabundo entre os dois generais franceses. A farsa do tribunal militar montado para condenar três soldados cuja execução ‘servirá de tônico para a divisão’ e o impressionante travelling da câmara de Kubrick na trincheira são igualmente pontos altos. O diretor chegou a pensar num final feliz, ideia ainda bem rechaçada e o filme se fecha poeticamente com a moça alemã e soldados (que logo certamente morrerão) irmanados numa terna canção de amor. Obra-prima. 10/10